Para os que me conhecem há tempos, sabem exatamente o que o nascimento (que é o resultado de um processo) da Leona representa para mim. Não é um modismo ou um “fogo de palha”! Ela sempre esteve em meus pensamentos desde que era apenas uma idéia. Uma vontade. Um desejo. Isso ocorreu pela primeira vez há 26 anos. E naquele momento ela já tinha um nome.
Ter participado das ultrassonografias foi muito bom. Ouvir aquele coraçãozinho acelerado batendo foi ótimo. Ter visto minha filha nascendo DEVERIA TER SIDO maravilhoso. Mas infelizmente não vi!
A namorada começou a sentir contrações no dia 24 de dezembro e fomos até o Hospital Alcides Carneiro correndo. Foi verificada por um médico [que não lembro o nome] muito atencioso. Verificaram que ela ainda não tinha dilatação mas que tinha um pequeno sangramento [normal, pelo que ele falou], então ela ficou mais um pouco para fazer um exame que verifica o bebê e marca as contrações [não sei o nome do exame]. Tudo normal e mandaram ela voltar pra casa.
Ficamos na casa da irmã dela e ceiamos. Fomos dormir era 1 hora da manhã. Até aí nada de mais. Acordo às 5:40 para ir ao banheiro e deito agarrando a barriga como sempre faço [Ah! Tá todo mundo falando que eu sou um pai babão… Sou porra nenhuma!] e uns minutos depois a Namorada começa a ter uma convulsão. Dou uma gravata nela [apenas para segurar] para que ela não bata com a cabeça e fico ali segurando ela até ela parar de tremer. Uns momentos depois da convulsão acabar eu tento “falar” com a barriga [Toda vez que fazia isso a Leona dava uma pezada na costela da Magrela] e nada! Nenhum movimento. Tentando manter a calma eu pego um vestido [o mesmo que ela havia ido pro hospital no dia anterior] e após muito trabalho consigo colocar nela. Levo ela até à sala e deixo ela sentada no sofá enquanto vou pedir pra irmã dela para nos dar uma carona pro hospital novamente. Tudo isso feito na madrugada e no maior silêncio que era para não acordar e preocupar ninguém. Abro a porta da sala e ligo pra irmã dela do lado de fora. Depois de abrir o portão da garagem, volto para pegar a Magrela e a porta da sala está trancada! Bate um desespero! Fui até a porta dos fundos. Trancada! Novo desespero. Vi que a luz do banheiro estava acesa e o primeiro pensamento que passa pela minha cabeça é de que alguém levantou para ir no banheiro, viu a porta aberta e trancou.
Desespero absoluto!
Em alguns momentos a irmã (da carona) bate na janela da outra irmã e pede pra abrir a porta da sala. Tudo que havia feito pra não acordar ninguém foi por água abaixo. Após abrirem a sala eu entro e a Magrela não está no sofá. Corro até o quarto e a cama vazia. Vou até o banheiro e pensando “Se ela trancou a porta, fudeu! Vou arrombar com uma senhora porrada!”. Dou uma mãozada na porta e abro num segundo e ela se assusta e por um momento de “sanidade” grita: “Ai, namorado!” e volta a ser um zumbi.
Levo ela até o carro depois de pegar as câmeras fotográficas. Sento no banco de trás e deixo ela no banco da frente e partimos para o Hospital. No meio do caminho comento com a irmã que estava preocupado porque a barriga não estava mexendo. Vejo que ela se desesperou um pouco e enquanto dirigia com a mão esquerda, ficava com a mão direita na barriga para ver se havia algum movimento.
Chegamos na porta da Emergência, e um segurança prontamente trouxe uma cadeira de rodas. Na portaria da ala mandaram ela seguir direto e depois fazer a ficha. Pedi pra irmã dela ir direto com ela pra obstetrícia enquanto fiz a ficha e informei o que havia acontecido e também que ela já havia estado ali no dia anterior. Eram 6:26 da manhã.
Enquanto ela entra sentada na cadeira de rodas e com a irmã do lado, e eu faço o checkin (Eu sei que não é pra fazer piada, mas me lembrou do foursquare) na recepção.
3 minutos depois eu estou adentrando as instalações hospitalares a passos [bastante] firmes. Vou até um quarto que deixaram ela, munido da D80, uma Samsung e do celular. Isso sem contar a bolsa dela com exames do pré-natal e a bolsa com as roupas da filhota.
©2010. Postage by Greg Cooper. Icons by P.J. Onori. Thanks to Jamie Cassidy & Panic.
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